quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mega Eventos na Praia de Botafogo ou em outras praias: equívoco?

Hoje, um evento na praia de Botafogo parou a cidade do Rio de Janeiro. Estragou o dia de muita gente, inclusive o meu.  Sempre que ocorrem estes eventos na praia eu me pergunto sobre a necessidade de serem ali realizados. Qual a finalidade, me pergunto, de um evento como estes ser realizado na praia? Penso sempre que se trata de um evento propaganda, sem preocupação alguma com a areia.

Não sei quanto tempo faz, houve um show da Claudia Leite em Copacabana. Lógico que não fui ao show. Copacabana virou um inferno. Dei uma volta pelo bairro e o caos estava instalado. Os carros parados no trânsito. Muita gente bêbada. Numa determinada ruazinha começou uma discussão entre um morador na janela e um motorista que enlouquecidamente buzinava. Este mesmo motorista pegou uma pedra e tentou acertar a janela... Não sei como terminou isso, pois não fiquei para assistir. A Claudia Leite com certeza estava bem confortavel onde quer que estivesse, o Prefeito virtual da época também. Quem foi ao show talvez estivesse feliz, mas o resto do Bairro com certeza não. Houve quem dissesse que se tratava de acesso a cultura, incentivo e etc. Pois eu discordo que se precise de um show na praia para conhecer a música desta cantora que está constantemente na TV. Só quem ganhou foi ela.

O show de hoje foi de uma igreja evangélica. Não se pode dizer que para todas estas pessoas invocarem suas crenças seja necessário fazer um show na praia. Por várias vezes ouvi dizer que Igrejas alugam estádios de futebol para fazer este tipo de encontro. Não se pode dizer que seja um sacrifício para suas finanças alugar um espaço apropriado para o culto. A praia não é este lugar, unicamente pela imensidão de pessoas que comparecem e sujam as praias. Muito menos a praia de Botafogo. Botafogo tem sérios problemas com o trânsito. Todos sabem disso, inclusive a Prefeitura.

Por outro lado, é preciso lembrar que a praia é patrimônio público. Deve ser preservada e não agredida. Esses megaeventos são sempre uma agressão ao fim que uma praia se destina. Pelo menos ao fim que eu acho que a praia se destina. Um praia é lugar de reflexão, de contemplação da natureza. Principalmente as praias urbanas, são para mim como um oásis, servindo de respiro do caos em que se tornou as vidas urbanas. Quando o caos se instala na própria areia, um alerta se acende nos meus pensamentos informando alguma inversão. Algum equívoco.

sábado, 10 de abril de 2010

Os problemas expostos na tragédia...

A tragédia que ocorre no Estado do Rio de Janeiro é simbólica por expor várias mazelas simultaneamente e de certa forma realçar o perfil do político brasileiro.

Da forma como ocorreram as coisas não parece haver o tratamento adequado do nosso lixo. A partir da tragédia da comunidade que se ergueu sobre um lixão aterrado, os noticiários já se apressam em "descobrir" outras comunidades sobre lixões. Desses fatos pode-se com convicção concluir que para nossos políticos o que não está visível passa a ser menos importante.

Sobre a atuação da prefeitura de Niterói, por exemplo, não se pode dizer que houve omissão. A prefeitura estava presente, inclusive com diversos programas sociais como informou o prefeito. O que ocorreu foi a decisão errada, foi a inversão das prioridades, a necessidade de propor medidas populares ao invés de decisões políticas de análise crítica da situação. Atuação para as urnas ao invés de cuidar da cidade, da coisa pública. É esse o perfil de nossos políticos.

Outra mazela exposta pela tragédia é a questão da moradia. As cidades que crescem precisam destas pessoas que se instalam nas favelas. É dever de quem governa uma cidade planejar o seu crescimento.

Os anos passam e é angustiante pensar que as decisões são tomadas de tragédia em tragédia. Isso indica que os políticos estão ignorando o que importa para reformar a fachada, dar uma bela mão de tinta e ir empurrando os problemas para o próximo mandato. Taí outra característica.