terça-feira, 7 de julho de 2009

Para ter diploma, tem que se formar!

Tenho escutado muita besteira por aí a respeito da decisão do STF de que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para exercer a profissão. Os ingênuos ou mal informados pensam que qualquer um agora é jornalista. Isso não é verdade. O que a decisão do Superior Tribunal Federal fez foi justificar a contratação de especialistas em determinadas áreas por empresas de comunicação. Isso porque o decreto-lei que regulamenta a profissão foi criado pelo regime militar brasileiro para afastar os intelectuais contrários ao regime dos meios de comunicação da época. Hoje em dia isso não se faz mais necessário e acredito que a decisão do STF seja, no mínimo, de bom senso. Mas pensar que qualquer um é jornalista é enganoso. Por trabalhar em cima de todas as outras profissões e áreas, as empresas jornalísticas utilizam especialistas para passar ao público a informação mais correta possível. E seria um absurdo exigir que um ex-jogador de futebol como o Júnior fizesse um curso superior de jornalismo para poder ser comentarista na TV Globo, por exemplo. A mesma coisa seria se um escritor como o Gabriel Garcia Márquez (que estudou Direito, mas não se formou) não pudesse começar sua carreira de sucesso num jornal impresso de Bogotá, na Colômbia.

Dependendo da formação (que não seja Jornalismo) do individuo que vai trabalhar em um meio de comunicação, ele pode sim exercer a função de maneira profissional, sem problemas. Mas para colocá-lo no ar, por exemplo, somente profissionais graduados e treinados na área de jornalismo. Essa vertente é confirmada com o pronunciamento de vários grupos de comunicação que reafirmam que continuarão a tirar das faculdades de Comunicação Social seus profissionais mais qualificados. Portanto, não pense que a profissão de jornalista acabou. Muito pelo contrário. Acredito que a partir de agora a concorrência irá aumentar ainda mais e somente os jornalistas mais bem preparados terão espaço no mercado de trabalho, já tão saturado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Rei do Groove

Não poderia deixar de comentar essa triste notícia que pegou todos de surpresa na última quinta-feira, dia 25 de junho. Até porque para minha surpresa, vários amigos me ligaram para perguntar como eu estava. Parecia que eu era amigo do cara. Mas pior que era. Pelo menos da minha parte (rs). E por ser amigo, deixarei aqui minha homenagem ao Rei do Groove, Michael Jackson.

Chamo-o de Rei do Groove, porque o título de Rei do Pop soa como se ele tivesse sido o maior e mais rentável produto da indústria fonográfica. E foi. Mas para os admiradores de verdade, como eu, ele foi mais importante do que os dólares que rendeu. Michael revolucionou a música como um todo, mesclando vários ritmos e tendências sem nunca perder o groove. Com isso conseguiu fazer uma coisa que nenhum outro artista, político ou esportista conseguiu até hoje e dificilmente haverá um que consiga: Michael Jackson é unanimidade! Tudo bem que nos últimos anos ele tentou acabar com a própria imagem com suas maluquices, mas se perguntarem pra qualquer um na rua se gosta do “Michael antigo”, a resposta será sim.

Não vou aqui traçar a biografia e discografia completa do MJ, até porque a imprensa já o faz com exacerbo, mas vale destacar alguns pontos interessantes. Um moleque que aos 10 anos tinha voz e presença de palco como ele já devia ser considerado um fenômeno. E era. Depois quando todos pensavam que ele apenas daria seqüência a carreira promissora, o cara aparece no final dos anos 70 com “Don’t Stop Till You Get Enough” e deixa seu nome marcado na década mais dançante de todos os tempos. Pronto. Agora sim ele vai dar seqüência e não vai inventar mais nada. Errado mais uma vez. Michael consegue não só criar um disco maravilhoso, como resolve revolucionar a industria da música com o clip de “Thriller” (que pra mim não é o melhor dele. O melhor é Smooth Criminal. Mas cada um com suas preferências). Ainda nesse disco “Thriller”, MJ consegue brilhar com mais três ou quatro músicas sensacionais. Pronto. Agora sim acabou. Acabou a revolução, mas não os desdobramentos dela. Já mudando muito a aparência, Michael dá continuação às criações fantásticas e lança “Bad”. Não tão bom quanto “Thriller”, mas cheio de groove de dar inveja/orgulho à “qualquer” Stevier Wonder. Virando a década de 90, Jackson começa a se destacar mais pelas cagadas fora de estúdio, mas mesmo assim ainda cria um excelente disco. “Dangerous” aparece um pouco mais eletrônico do que groove. Tende mais pro sintetizador do que pro baixo, mas ainda sim é muito bom, pra não ser repetitivo com maravilhoso. Depois disso a parábola de sucesso do Rei entra em descendência e o inferno passa a acompanhá-lo. Alguns discos de coletâneas com poucas inéditas como “History” e dois CD’s fraquíssimos para os padrões de MJ como “The Blood is on The dance floor” e “Invincible”. Este último, para se ter uma ideia do inferno que vivia Michael, tinha data de lançamento para 11 de setembro de 2001. Alguma lembrança do que aconteceu no mundo neste dia para atrapalhar Michael? Sem comentários. Depois disso Michael Jackson caiu no ostracismo, aparecendo sempre de forma bizarra, mas sem nunca perder o título de Rei do Pop.

E agora que o cara iria voltar para tentar apagar essa bizarrice que ele mesmo criou, vem a Dona Morte e o leva. Isso me entristeceu. Se ele tivesse morrido lá traz, tudo bem. Se tivesse morrido sem anunciar que estava pra voltar, tudo bem. Mas justo agora? Com 50 shows marcados e toda expectativa mundial em torno do que ele ainda poderia aprontar? Talvez, sei lá, Deus o poupou e nos poupou de um vexame nessas apresentações. Ou, muito provavelmente, ele acabou morrendo por se preparar demais pra uma coisa que ele não tinha mais condições. Enfim, Michael morreu. De forma estranha, mas não poderia ser diferente em si tratando de Jackson. Agora várias pessoas vão ganhar dinheiro com a morte dele, inclusive o pai que aproveitou a atenção da imprensa mundial para adiantar que está lançando uma gravadora (atitude inacreditável), outras já estão perdendo grana como a produtora dos 50 shows, mas quem perde mesmo são os admiradores da boa música. Infelizmente agora não é possível ter esperança dele nos surpreender, como fez inúmeras vezes. Mas o mito permanece. O groove permanece. Não só nas músicas deixadas, mas na influência em outros artistas. Michael Jackson já tinha um lugar reservado na história da música. Com sua morte, irá apenas ocupar o posto de melhor de todos os tempos. De Rei do Groove!