sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Suicídio na Petrobrás!

Os grandes veículos de comunicação não noticiaram (ou então eu não percebi a notícia), um funcionário da Petrobrás pulou do prédio na Avenida Chile, aquele prédio principal da empresa estatal. Cometeu suicídio. Isso ocorreu essa semana e não se viu qualquer espaço significativo na grande mídia sobre o fato. Por que será? Confesso que não sei.
Tenho refletido e procurado, com todo o cuidado, entender essa situação. É lógico que deve ser difícil para a família. Seria justo explorar esse fato? Seria cruel? Eu considero que sim, e eu se fosse um dos parentes não gostaria de ver a mídia em cima procurando detalhes, revirando a vida de um ente querido, mas não é essa a questão que gostaria de colocar para debate. O fato é que a Petrobrás abafou o caso.
Todos os dias vemos na televisão absurdas explorações comerciais dos casos mais variados. Vimos inclusive uma exploração em tempo real no recente caso do seqüestro em São Paulo, com direito a improvável intervenção de apresentadores de televisão.
O que me preocupa é que quando o interessado tem poder econômico e, principalmente, político, a informação pode ser abafada. Esse fato é indicativo. Que outras informações omitem? Vamos pensar.
Em tempo: coloco esse humilde espaço a disposição da família para qualquer desabafo!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O estado do Brasil. Prognóstico sobre a situação política do Brasil.(Leo Saoli)

Peço licença para reproduzir aqui um texto que escrevi em 26/09/2006, às vésperas das eleições daquele ano, vamos refletir:
"Amigos,
A situação política do Brasil tem trilhado um caminho perigoso. Sejamos sinceros, quem nunca ouviu a seguinte exclamação: Política! Estou fora! A frase é o símbolo do prognóstico aqui traçado e de repulsa ao processo político.
Tratar de política é tratar de problemas, problemas estes que são seus, meus, de todos nós. E por que raios apenas uma parcela dos cidadãos (os políticos) se obriga com a solução dos seus problemas enquanto que você se pudesse, nem votar votaria? Realmente não vejo razão.
A progressão dessa situação, o afastamento da população das políticas públicas, levará o país a se preocupar apenas com os interesses dos políticos demagogos que, a cada dia que passa, se tornam mais obscuros. São eles quem decidem sem que tomemos qualquer posição nesse processo decisório. Mesmo quando vemos uma manifestação, pode-se observar que nela muitas pessoas são remuneradas para isso. Mercenários!
Nas eleições, então, nem se fala. As passeatas e os comícios não são compostos por público ou platéia, mas sim por empregados. Que sejam remunerados, tudo bem! Não serei radical ao ponto de crucificar pessoas que realmente precisam deste salário. Mas o que se vê são pessoas que se transformam em sedentos defensores desses políticos única e exclusivamente por estarem empregados por eles. Nessa situação essas pessoas tiveram seus votos comprados. O pior é que passam a defender com unhas e dentes tal candidato sem nem ao menos conhecê-lo. São presas fáceis.
Isso eu digo aqui, na capital do Rio de Janeiro. Porém, essa situação se agrava quando a troca se dá pela fome e pela miséria. Imaginem o número de votos comprados que existem pelo Brasil afora. Tenho certeza que nenhum de vocês, destinatários deste prognóstico, está perto da linha da pobreza. Mas, talvez, alguns de vocês estejam vendendo o seu voto como na hipótese aqui colocada.
Talvez eu também o faça sem saber. Porém, não devemos nos abater, nos acomodar. Não podemos ser preguiçosos! Se nós, que temos condições de ter acesso à informação, na medida do possível, livre de impurezas, desistirmos, como estão desistindo os adeptos do voto nulo, não restará alternativa. O Brasil caminhará até retornar à ditadura. Veja o porquê.
Como o exposto nas linhas acima, grande parte da população entrega o voto por um prato de comida. Não se pode crucificá-las por isso, a questão é de sobrevivência. Essa parcela da população não se vale do sufrágio, não têm escolha, pois a única luz é a daquele assistencialismo barato. Sua luz não é clara, é turva, ilusória.
Uma outra parcela da sociedade, nós, temos o acesso e a oportunidade de enxergar uma luz mais límpida. A vida é difícil, mas isso não pode vedar sua responsabilidade para com a vida em sociedade. Devemos procurar firmar nossa convicção em bases seguras e para isso é preciso se esforçar para alcançar uma opinião e não mera repetição de argumentos. Voltando ao ponto em questão (ditadura), se cada cidadão entender que não deve se envolver com a política, que não deve opinar sobre qual política adotar para determinado assunto, as vozes que resolverão o caso diminuirão, dia após dia, até que sobre apenas uma voz, ou a voz de um grupo apenas. Você não será mais representado. Estará à margem.
A democracia é feita pela comunhão de diversas vontades, se permitirmos a diminuição desse número de vontades a tal ponto de se tornar singular, a forma de governo não será mais dirigida pela vontade popular, a qual, por incrível que pareça, haverá decidido não decidir mais nada. Talvez muitos não tenham atentado para isso. Talvez tenham, mas se considerem sem forças para mudar. Não se espera que uma pessoa, sozinha, altere essa situação, mas você pode alterar o seu estado.
E quando digo estado, refiro-me a sua própria situação. Exijo que estude, analise, busque a informação, não desista. Sem você nesse processo político não há democracia e nós dois viveremos como escravos das decisões dos corruptos. Não podemos aceitar que nossa geração seja marcada pela abstenção. Devemos resistir à insuportável idéia de que nossa maior conquista seja a do voto facultativo, como se desenha na atual conjuntura. O voto facultativo é a bandeira de quem deseja que o prognóstico aqui exposto se realize. Não podemos admitir isso. Só duas intenções defendem o voto facultativo: 1) Quem não deseja participar do processo político; 2) Quem deseja diminuir as vozes que decidem as políticas públicas. Por outro lado quem participa, e não vê possibilidade de deixar de fazê-lo nem precisa tocar no assunto.
Pensem nisso e opinem!"

sábado, 18 de outubro de 2008

“Estratégia”: um seqüestro em São Paulo

Em Direito existe uma máxima que diz que a vida, a liberdade, a personalidade, ou seja, qualquer direito que confira um mínimo de dignidade para que alguém possa existir como pessoa se revela indisponível. Exemplificando: uma pessoa não pode vender sua vida, também não se pode incentivar alguém a tirar a própria vida. A lei penal proíbe, ainda, que o indivíduo venda, doe ou troque sua liberdade por qualquer que seja a quantia (não parece, mas é verdade). Não se pode vender um braço, uma perna, etc. Não se pode trancar ninguém em um quarto fechado eternamente, ou por um segundo que seja, contra a vontade da pessoa. Tampouco alguém pode vender sua própria liberdade.

A partir disto são vedadas e não fomentadas diversas condutas que possam afetar um indivíduo em sua integridade, que agridam a vida, liberdade, etc. O que a lei quer, além de proteger o indivíduo de diversas formas, é impedir que o ser humano seja utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo, como ocorreu na escravidão, na revolução industrial e em diversas partes do globo terrestre.

Novamente leio no jornal uma situação onde o indivíduo foi utilizado de forma contrária com o que eu disse acima. Tratado com total indiferença, servindo de meio a um objetivo desvirtuado. E o pior, falo aqui de uma criança, falo de Naiara Vieira, de 15 anos, que após ser libertada por um seqüestrador em São Paulo foi novamente levada ao cativeiro, pois de acordo com a polícia o “delinqüente” mataria a outra refém, Eloá, também de 15 anos. Resultado desta irresponsabilidade: Eloá levou dois tiros, um na cabeça e outro na virilha e está em coma, enquanto sua amiga Naiara foi baleada na boca.

Como pode a polícia, após o êxito de conseguir libertar um refém, permitir que esse mesmo refém voltasse ao cativeiro? Como pode os pais, o juizado de menores, o delegado, o coronel, qualquer autoridade que seja, deixar a menina, que não tem, ainda, maturidade para decidir o próprio rumo da vida, voltar ao cativeiro para fazer o que quer que fosse, ainda que para salvar a amiga?

Até quando a sociedade vai cegar diante da realidade de que o ser humano não pode ser utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo? Como “estratégia”, segundo a polícia. Só posso concluir da seguinte forma: é a indiferença atacando de novo!!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A indiferença é mundial

Li assustado na grande mídia que um estudante finlandês, seu nome Matti Juhani Saari, de 22 anos, matou dez pessoas. Informava a notícia que a polícia encontrou em seu quarto bilhetes onde afirmava que odiava “as pessoas e a raça humana”. Essa não é a única história de jovens que resolvem destruir o mundo a sua volta, exterminando pessoas. Entretanto, o que me causa mais espanto é que o caso me faz pensar em algo muito maior que está por trás dessa tragédia: a indiferença.

As crianças de hoje já estão crescendo acostumadas com a indiferença pelo próximo, embora haja quem lute contra isso, parece-me que a batalha está sendo vencida por ela. Certa vez, passando por um mendigo que estendia a mão pedindo esmola, me perguntei se as pessoas o observavam. Decerto que os adultos possuem muitos argumentos (não que sejam verdadeiros) para nem olhar para o súdito dono do chão. Mas as crianças não. Na ocasião, observei que duas crianças (de aproximadamente dez anos) ao passarem por esse mendigo, acompanhadas da mãe, sequer olharam para ele, sequer perguntaram por que estava ali.

Obviamente que a questão se resolve pela educação, pela informação, pela mudança cultural, que pode levar anos. Entretanto, uma postura que poderia ser adotada é que ninguém fique mais indiferente a nada, pois esse estudante finlandês que matou uma dezena de pessoas em um momento da sua vida foi vítima da indiferença. Seja pela ausência de seus pais, seja pela ausência de seus amigos, seja pela ausência do Estado, seja pela ausência de qualquer um que poderia ter observado seu comportamento e lhe mostrado o outro lado da vida, a possibilidade de seguir por outro caminho.

É comum atribuirmos a responsabilidade pela educação das crianças aos pais. Concordo. Mas, não pode ser somente isso. É preciso que todos participem do aprendizado de qualquer criança, seja dando exemplo na rua, seja mostrando-lhes a forma correta de agir. As crianças são criadas para um dia ganharem o mundo, porém se são ignoradas crescerão com o sentimento de insegurança, que pode se transformar em desejo de autodestruição, levando consigo quem está a sua volta: você, sua família ou seus amigos.

Já escrevi sobre a indiferença antes no blog Isagoria Nacional, no texto “Morte à Indiferença” (http://isagorianacional.blogspot.com/) e tornarei a escrever quantas vezes forem necessárias para chamar a atenção para algo que é imperceptível pelos olhos da mecanização.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Manual de sobrevivência

Que vivemos em cidade violenta nos já sabemos. O que poucos sabem é como se defender. Normal. Essa história de manual de sobrevivência em cidade grande é algo não explorado porque deixaria o cotidiano com cara de guerra civil. Mas não vivemos em uma guerra civil? Se você não pode sair de carro em determinado horário, não pode usar relógio em certos lugares ou vive assustado com qualquer correria ou barulho nas ruas é porque você vive em estado de guerra. Normal também. Aliás, essas pessoas hoje em dia podem ser chamadas de espertas. Pra viver na cidade do Rio de Janeiro você tem que ser esperto. Tem que estar esperto. Caso contrário será assaltado ou furtado mais cedo ou mais tarde.

Após sofrer uma tentativa de furto nesta semana, desenvolvi por conta própria um breve manual de ações para tentar evitar futuros problemas. É claro que esse manual não o deixa isento de assaltos ou furtos, mas com certeza diminuirá as chances do bandido. Antes contarei como aconteceu minha experiência desagradável. Ao entrar em um ônibus da linha 572 no Leblon me deparei com um sujeito tentando esconder o rosto com as mãos sentado ao lado da porta traseira. Mesmo achando aquela cena estranha, não me importei muito e sentei sozinho no primeiro banco depois da roleta. Ao entrar na rua Jardim Botânico me levantei pois tinha que descer em seguida. Quando cheguei perto da porta traseira, aquele sujeito que escondera a cara se levantou também junto com mais dois homens e se posicionou para descer do ônibus. Antes de chegar ao local de descida, um desses malandros deixou a mochila cair na minha frente na esperança de eu me abaixar pra pegar. Suspeitando algo estranho no ar, permaneci na mesma posição que estava e levemente coloquei minha mochila para frente - ela estava pendurada no meu ombro esquerdo. Ao fazer isso, aproveitei para abrir um espaço entre os sujeitos e eu. Quando desci do ônibus nem olhei para traz e me direcionei para atravessar a rua. Neste momento reparei que não havia descido ninguém comigo. E ao ligar os pontos da cena que acabara de acontecer, olhei minha mochila e ela estava com um dos bolsos abertos. No mesmo momento vasculhei-a para ver se estava faltando alguma coisa, mas tudo estava no lugar. Foi sorte ou esperteza? Um pouco dos dois. Os homens não tinham cara e nem jeito de bandido, mas por viver onde vivo desconfiei mesmo assim e por isso me safei. Dessa vez a história teve final feliz.

Portanto apresento a primeira regra do manual de sobrevivência. Sempre duvide das pessoas que estão ao seu redor. Qualquer um. Pode ser homem, mulher, idoso, adolescente. Os ratos – como prefiro chamar esses marginais – não vêm com placa dizendo “ASSALTANTE”. Cada vez mais eles se especializam em despistar as vítimas para ter sucesso. A segunda regra é se precaver. Não ande com carteira ou objetos de valor em lugares de fácil acesso. Separe o dinheiro da passagem antes de sair de casa ou do trabalho. Pague e caso haja troco coloque num bolso qualquer. Abrir carteira na frente de todos só desperta o interesse dos ratos. Evite ao máximo falar no celular quando estiver dentro de um ônibus. Dependendo da marca e do modelo você pode virar a vítima preferencial. E por fim, ande sempre antenado no que está acontecendo ao seu redor. Mas lembre-se. Estar ligado não quer dizer estar neurótico. Assim como os animais irracionais, os ratos sentem cheiro de medo. E se você tem medo é porque deve ter algo de valor. É muito importante manter a calma nesses momentos e se tiver que descer do ônibus antes da hora por achar que será assaltado não pense duas vezes. Dois reais e dez centavos a menos não vão te deixar mais pobre. E não há dinheiro no mundo que tire a sensação de frustração e raiva de alguém que foi roubado.

Por enquanto esse manual se restringe aos usuários de coletivos urbanos. Mas em breve prometo criar novos capítulos desse livro nada agradável, porém essencial. O que não vai faltar é pauta.

Fique ligado e boa sorte!!!

sábado, 28 de junho de 2008

Beber ou dirigir eis a questão!

Está em vigor, desde do dia 20.06.2008, a Lei nº 11.705/2008, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro, para inaugurar a era da tolerância zero nas ruas de todo o Brasil. Esta lei prevê que qualquer concentração de álcool no sangue sujeita o condutor a algum tipo de penalidade, tais como multa, suspensão do direito de dirigir por 12(doze) meses e prisão.

Antes, configurava crime o ato de beber e dirigir apenas se comprovado que o motorista bêbado dirigia perigosamente expondo a perigo a incolumidade de outrem. Para a atual Lei 11.705/08, basta que o motorista encontre-se alcoolizado (concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas) para a configuração do crime. É importante frisar a mensagem que o legislador quis passar e que ouvimos diariamente nos comerciais de televisão: SE BEBER NÃO DIRIJA!

Essa medida é acertada. É recorrente na mídia a notícia de vidas perdidas por acidentes causados por motoristas bêbados. Quem não se revoltou com uma situação dessas? E quem nunca bebeu e dirigiu? O responsável pelo acidente, na maioria das vezes, não é alguém que se dedica a praticar crimes. Mas do outro lado a família e a vítima também não.

Antes dessa lei a punição para quem bebia e dirigia era apenas administrativa. Não era crime beber e dirigir. Somente configurava crime se, além de beber e dirigir, o cidadão ainda dirigisse perigosamente. As notícias de mortes no trânsito indicavam a insuficiência da puniçao administrativa e para a configuração do crime, provar a direção perigosa era um obstáculo que favorecia a impunidade. O ordenamento jurídico, diante disso, precisava de alteração.

A ação de beber e dirigir passou a configurar crime se comprovado concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. A lei penal não mais permite que o condutor dirija alcoolizado, pois passou a presumir o risco. A lei penal agora entende que basta dirigir alcoolizado para expor a dano potencial a incolumidade de outrem.

Eliminar por completo os acidentes causados pela combinação álcool e direção é missão impossível. Porém, não vejo, a princípio, em relação ao objetivo que se busca, uma desvantagem sequer da nova legislação em relação a anterior. Muitos vão reclamar. Mas o objetivo não é proteger o motorista que bebe, não é preocupação com sua saúde frente aos prejuízos que o álcool traz. A finalidade é evitar os acidentes. Proteger a incolumidade de todos que transitam pelas ruas.
Portanto, SE DIRIGIR NÃO BEBA. SE BEBER NÃO DIRIJA.

Link para Lei 11705/08: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A caixinha de surpresas

Existem coisas na vida que modificam nosso ânimo em relação ao mundo, mesmo que nada tenha sido feito de concreto para nos atingir. Somos tomados por um sentimento de raiva e frustração que pode fazer com que nosso dia seja um fardo. Diversos sentimentos poderiam se enquadrar na situação que pretendo descrever, mas, agora, falarei de dois em especial: a expectativa e a surpresa.

O que você faria se a pessoa que você está paquerando esquecesse de lhe ligar, tal como disse que faria? Ou, se o seu chefe não lhe desse a promoção que você esperava pelo trabalho bem feito? Ou, ainda, se de repente o resultado na prova, pela qual você estudou o ano inteiro, lhe fosse desfavorável? Nessas situações, muitos ficariam “chateados, desmotivados, sem vontade de cantar uma bela canção” (mas não Joseph Climber!!!), o que poderia ser prejudicial para auto-estima.

Agora, se pensássemos em hipótese inversa e fizéssemos a mesma pergunta acima, em outro contexto, a situação se modificaria. Imagine se ao chegar do trabalho cansado, sem pensar em nada, depois de ter esquecido o celular em casa (que bom!), percebesse que havia diversas chamadas da pessoa que você sequer cogitava que fosse te ligar. Ou, se ao chegar no trabalho, depois de ter saído de uma festa de aniversário (você nem teve tempo de dormir), seu chefe lhe dissesse que lhe daria uma promoção. Ou, ainda, se, após estudar o ano inteiro, sem abdicar do lazer, descobrisse que fora aprovado em várias provas de concurso público (você fez uma atrás da outra), podendo escolher qual cargo ocupar.

Os exemplos acima são apenas ilustrativos de que ao modificarmos nossa percepção da vida, do cotidiano, poderemos ter momentos prazerosos como uma boa surpresa. Quando esperamos muito alguma coisa, e criamos uma expectativa de que isso acontecerá, poderemos ter uma surpresa negativa: não acontecer o que esperamos. No entanto, se não ficarmos na expectativa do resultado, mas concentrarmos esforços nos meios de alcançá-los (agradar alguém, trabalhar bem, estudar legal) a possibilidade de surgir uma surpresa positiva é grande. Isso porque o resultado de nossas ações não está sendo esperado e se a surpresa negativa acontecer (a pessoa não ligar, não ser promovido, não passar na prova), não será percebida, não sendo uma surpresa real em nossas vidas.

Isso é o que eu chamo de dialética da surpresa e da expectativa. Quanto maior a expectativa que você deposita em algo (receber um telefonema, ganhar uma promoção, passar em uma prova), maior será a chance de você perceber e sentir os efeitos de uma surpresa negativa. De forma proporcionalmente inversa, quanto menor suas expectativas com relação a algum acontecimento, menor será a percepção da surpresa negativa e maior felicidade se perceberá com a surpresa positiva.

Não estou querendo, com isso, dizer para sermos pessimistas, mas apenas para realizarmos nossos atos sem esperarmos nada em troca (princípio da solidariedade). Como serviu para Joseph Climber, também nos orientará: “A vida é uma caixinha de surpresas”.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Idéias Abstratas

Uma coisa que eu percebi ao observar o comportamento das pessoas é que cada um fala o que quer, sem qualquer preocupação com a verdade. Se é que existe uma. Parece óbvio em tempos democráticos, onde o rigor da ditadura não está mais presente, ao menos aparentemente. O que eu quero enfatizar com isso é que cada vez mais “idéias” são difundidas no seio social, pouco importando se estão baseadas em algum tipo de princípio ou mesmo se possuem algum indício de verdade. Isso faz com que se exija maior qualificação do indivíduo receptor para que seja apto a separar o joio do trigo.

Todo mundo deve conhecer os conceitos de raça ariana, terrorismo, eleitor, consumidor, meio ambiente, direitos fundamentais, etc (ao menos deveriam). Poucos, no entanto, saberiam dizer o que eles têm em comum. Eu, talvez, com a probabilidade de ser tachado de louco, vos direi. Embora possam ser expressões consideradas destoante, todas têm algo que as interligam como axônios de neurônios. São expressões que colocam o ser humano em segundo plano. Consubstanciam em uma tentativa de reificação do ser humano. Somos transformados em coisa. Deixamos de ser o fim de todas as coisas e passamos a ser o meio de alcançar algo (ainda que um desejo obscuro).

As expressões antes citadas serviram para aqueles que detinham o poder, em determinado momento, justificarem suas ações em nome de objetivos não esclarecidos (ao menos oficialmente). Hoje isso, para mim, fica mais claro do que água. Hitler se valeu da raça ariana, os EUA se valeram do terrorismo e direitos fundamentais, os políticos de hoje utilizam o eleitor, os grandes monopólios os consumidores.

De fato, deixei de citar, propositadamente, no parágrafo anterior um conceito: o meio ambiente. Quem será que o utilizará nos dias atuais? Bem, as últimas notícias do New York Times parecem nos dar algum indício (a Amazônia é do mundo).

Sempre aprendi em biologia que as algas marinhas eram responsáveis por noventa porcento do oxigênio do mundo, pois não consumiam todo aquele que produziam, ao contrário da floresta amazônica (biólogos me corrijam se eu estiver errado). Por que, então, a preocupação do mundo com a Amazônia? Será que a matéria prima lá existente tem alguma coisa a ver com isso???

Hummm...é melhor prepararmos nosso exército, sem querer ser pessimista, ou reconhecermos nossa incompetência e vendermos a floresta para os estrangeiros. Ao menos evitaremos mortes como ocorreu com a raça ariana, terrorismo, direitos fundamentais, eleitor, etc.

Não há outra conclusão: as idéias são abstratas, cada um faz delas o que bem entender e com o meio ambiente não vai ser diferente.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Enquanto houver hoje...

A vida hoje anda tão mecanizada que, não raro, as pessoas não percebem o quanto ela pode nos fornecer princípios de vida nas situações mais simples do cotidiano. Falo em perceber, no sentido de refletir sobre os acontecimentos da realidade, tal qual tentamos fazer aqui no Questão Atual. Lembre-se: olhar um quadro de um artista não é o mesmo que percebê-lo.

Segunda-feira, 21 horas, chego do trabalho (em São Paulo), cansado, e resolvo ir ao restaurante do Flat, onde moro, para jantar. Para quem não sabe, esse é o dia em que costumo iniciar minha dieta (o término é na sexta, quando vou para o Rio). Pois bem. Pedi ao garçom, óbvio, um prato cheio de salada com frango grelhado (não sei qual foi o gordo desalmado que inventou essa combinação!!!). Após me “empanturrar”, resolvo pedi a conta, quando veio a “infeliz” pergunta:

- Não vai querer sobremesa, hoje?

De fato, na sexta passada eu já havia pedido sobremesa, por isso a pergunta do garçom. Foi quando fui tomado por um súbito pensamento racional: “claro que eu não vou querer. Acabei de começar minha dieta, depois vou ficar com peso na consciência”.

- Quero. Traz para mim o de sempre (petit gateu).

Com certeza o inventor desse doce devia ser magro. Misturar sorvete de creme com um bolinho com recheio de chocolate derretendo dentro é de uma genialidade incrível. Gordo não tem capacidade para inventar essas coisas (só para comer). Para completar, o gerente do restaurante passa na hora e comenta:

- Aí Julio, comendo sobremesa!
- É só hoje – respondi o que havia dito da última vez.
- Enquanto houver hoje... – retruca o gerente rindo.

Talvez ele não tenha percebido, mas aquele início de frase “Enquanto houver hoje...” é um grande princípio para resolver pensamentos negativistas que surgem em nosso dia-a-dia. Na hora em que ele retrucou, eu completei a frase mentalmente: “Enquanto houver hoje...não precisarei do amanhã” e fiquei refletindo sobre ela. Muitas vezes, problemas que transferimos para o amanhã poderiam ser resolvidos hoje. Isso em qualquer situação: relacionamentos, trabalho, amizades, filhos, etc. Outros tantos, criamos hoje em nossa mente, sem sabermos se eles existirão amanhã. Nos preocupamos à toa.

Moral da história: Para que comer o petit gateau só na sexta se eu posso comer na segunda!?

domingo, 27 de abril de 2008

Tocha do Protesto

Não sei quanto aos meus amigos mais velhos, mas nunca vi um desfile mundial tão contestado. Aliás, perguntei para alguns velhos amigos se eles já viram a Tocha Olímpica ser tão repudiada dessa forma e quase todos disseram que não. Por onde passa, a pobrezinha é recebida com protestos sérios, agressivos e que muitas vezes até a impede de completar o percurso. Tudo em nome do Tibet. Ou Tibete, como você preferir. Uma extensa área de terra nas alturas – alguns pontos chegam a mais de quatro mil metros de altura – que a China cisma em manter sob seu domínio. Muitos exilados tibetanos há anos travam uma batalha com o governo chinês e agora aproveitam a publicidade da Tocha para mostrar ao mundo sua causa.

Do jeito que as coisas andam, não sei nem se a Tocha chegará à Beijing com todo aquele espírito olímpico. Sei que a imprensa, em sua maioria, não está dando muita importância pra isso. Vejo apenas notas, comentários vagos e nada de discussão. Será que não dá audiência? Vamos ver se até junho acontece algo mais sério para que as pessoas atentem para esse conflito. Dizem que os chineses serão os próximos donos do mundo. Só o tempo pode responder isso. Mas por enquanto, eles estão mostrando que tem tudo para assumir o posto.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CASO ISABELLA

Eu venho aqui nesse momento manifestar minha total indignação com o comportamento que tenho visto da população em condenar o pai e a madrasta da menina. De onde essas pessoas conseguiram elementos para chegar a esta conclusão? Num jornal foi noticiado que jogaram pedra nos dois quando eles saíram dos seus depoimentos. Volta a perguntar: De onde essas pessoas tiraram a certeza da culpa do casal?

Muitas pessoas estão falando besteira em programas de televisão, tentando desvendar esse mistério, alguns concluíram que o pai é o culpado, outros que a madastra seria a homicida. Estão explorando, como tudo exploram com o único objetivo de aumentar a audiência para valorizar os segundos de seus intervalos comerciais. Não é para isso que servem as concessões das redes de televisão.

Sobre esse caso, a única certeza que eu tenho é que a execração pública pela qual passa esse casa É INJUSTA, porque será injusta mesmo que eles sejam considerados culpados no final!

sábado, 5 de abril de 2008

O rei da selva de pedra

Era mais um domingo de sol escaldante no verão do Rio de Janeiro, estava chegando na minha casa, que fica em Copacabana, Zona Sul da cidade, depois de mais uma sagrada partida de futebol e fui direto tomar aquele banho relaxante, relembrando os momentos de “futebol arte” daquela partida.
Entrei no banheiro, tirei a roupa, liguei o chuveiro e foi aí que me deparei com ele: o ser vivo mais temido desta selva de pedra, o mosquito. Confesso que o meu desespero foi tão grande que naquele momento não consegui identificar se era o mais temível deles, o Aedes Aegypti. Entrei em estado de choque, não sabia o que fazer, o inseto passava voando bem próximo ao meu corpo e minha única reação era desviar. Ficamos ali uns cinco minutos, cara a cara, ele voando ao meu redor e eu apenas ziguezagueando a sua frente.
Percebendo que daquela forma seria uma questão de tempo até que o inevitável acontecesse, consegui me acalmar um pouco e vi que na pia havia um jornal, antes de pegá-lo ainda consegui ler a manchete que dizia “Zona Sul já vive epidemia de dengue”, pronto estava confirmado, realmente o meu duelo era com ele, o temível Aedes. Peguei o jornal, dobrei-o e tentei o primeiro ataque, passou perto, mas com muita habilidade o mosquito conseguiu desviar, tentei mais dois golpes e nada de acertá-lo, pronto, já não sabia mais o que fazer.
Naquela altura dos acontecimentos, já me encontrava desesperado, estava quase desistindo de lutar, sabia que a picada final seria uma questão de tempo. Mas é nesses momentos que surge sempre mais uma idéia, corri para baixo do chuveiro e liguei a água, sabia que ali ele não me pegaria, talvez se fosse uma banheira com a água parada, mas ali debaixo do chuveiro com ela correndo pelo meu corpo ele não conseguiria.
Fiquei ali por mais ou menos 15 minutos, sempre atento e sem tirar o olho do mosquito. E foi no único vacilo dele que cheguei à vitória neste embate. Não sei se por cansaço, até porque não sei se mosquito se cansa em voar, ou por desatenção, ele pousou na parede, não pensei duas vezes e dei uma raquetada com a mão direita e ele não resistiu, ficou esmagado na palma da minha mão.
O pior de toda essa história é saber que muitas pessoas estão passando pelo mesmo desespero que eu, muitas delas acabam não tendo a mesma sorte e são contaminadas pela dengue. Sei que é muito importante a consciência de todos, mas o mais importante nesta história é a participação dos nossos governantes, é inadmissível que estejamos passando por mais uma epidemia, que aliás, demorou muito a ser assumida por eles, sendo que todo ano passamos por isso e nada é feito para a sua prevenção.
Ainda estamos lutando contra a dengue, mas já tínhamos que ter uma política de curto e longo prazo, também pensando na que virá ano que vem, ou alguém tem dúvidas de que no próximo ano vamos ser atingidos novamente e provavelmente com ainda mais força. Mas ao invés disso o que temos que ver é o nosso prefeito, esse mesmo que não tomou as medidas preventivas, primeiro negar a epidemia e depois ir para a Bahia rezar para o mosquito ir embora.

terça-feira, 4 de março de 2008

O que os olhos não vêem!

Domingo, após alguma leitura e um cochilo durante à tarde resolvo distrair (ou não) a mente. Ligo a TV. Eis que me surge o Senhor Fausto Silva, vulgo, Faustão, com suas piadas sem graça, na incansável tentativa de conseguir audiência, “explorando” um menino de apenas seis anos de idade, que toca teclado e canta de forma engraçada. Como se não bastasse, colocaram ao lado do menino o Deputado Cantor “Federal” Frank Aguiar para um dueto. Desisti, claro. Mudei de canal: TV Justiça. Para minha surpresa passava uma notícia sobre um julgamento no Superior Tribunal de Justiça onde se discutia a diferença entre Farmácia e Drogaria. Até tu Brutus, filho meu!!!
Voltei para a Plim-Plim (eu sou brasileiro e não desisto nunca), queria ver uma matéria onde um Leão abraçava uma empresária (não, não era o imposto de renda, era um bicho de verdade). Mas antes tive que aturar a “câmera fantástica”. Sim, eu disse a “câmera fantástica”. Fui obrigado a ver, segundo nos lembra o insistente Cid Moreira, “o que os olhos não vêem”: o cozimento de uns legumes ampliados pela tal câmera para pegar os detalhes (não sei de quê). Fiquei impressionado com o tempo que se dedicou a essa “matéria”. Sem contar as inúmeras outras inúteis ao longo do programa.
Não sou fã de teorias conspiradoras, mas tive a ligeira impressão que estavam querendo emburrecer o telespectador. Parem e reflitam sobre os legumes borbulhando dentro de uma chaleira, cuja imagem foi ampliada pela “câmera fantástica”. A Televisão, veículo de massa que é, podendo levar informação que ajude na reflexão social, faz o telespectador pensar sobre legumes borbulhando em uma chaleira.
Realmente, é melhor voltar para os livros porque com a televisão do jeito que está “os olhos não vêem” nada.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Concurso de contos, solte a imaginação!

O caderno Prosa & Verso do jornal O GLOBO está promovendo mais uma vez seu concurso de contos "Contos do Rio". O tema deste ano é o carnaval. Todo mundo tem uma história de carnaval para contar, por isso resolvi divulgar neste espaço a realização desse concurso. Os dez melhores contos serão publicados no jornal e o grande vencedor receberá um troféu e uma quantia em dinheiro. Então é isso, inspire aquela saudade e expire em letras e palavras num papel. Quem sabe você não se descobre um grande talento? O prazo final para o envio do seu conto é 31 de maio de 2008, o regulamento encontra-se no link abaixo.

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?cod_post=89544

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Barulhos do cotidiano.

Silêncio, onde encontrá-lo? Na busca de um lugar tranqüilo para ouvir meus pensamentos me vi envolvido pela turbulência urbana de tal forma que comecei a refletir sobre as espécies de barulhos existentes no cotidiano. Agora mesmo, a aparência de silêncio é destruída pelo som de uma música do vizinho, pelo barulho, mínimo, feito pelo computador.

Uma distinção, então, me ocorreu. Não existe relação entre o volume do som e a perturbação que ele provoca na sua concentração, ao menos nas experiências que eu vivo. Tudo irá depender se aquele barulho está fora do contexto ou compõe o ambiente.

Percebe-se isso quando estamos procurando um lugar adequado para o estudo, por exemplo. Para uma pessoa que tenta se concentrar numa biblioteca, um sussurro é imperdoável. E o nível da reprovação daquela conduta – sussurrar na biblioteca – é tão forte que mesmo sendo um som baixo, a perturbação causada é insuportável.

Por outro lado, um bebê sorrindo ou chorando no ônibus que, isoladamente, é um som muito mais alto que um sussurro, não irá provocar (ou não deveria) repúdio dos ouvintes. Isso porque aquele som, apesar de estridente, compõe o ambiente, ainda mais se for verão, aquele calor insuportável (quando não estamos na praia). Acho que qualquer de nós choraria se pudesse.

Por essa razão, ao tentar se concentrar num ônibus para fazer uma leitura, não será aquele som que irá nos atrapalhar, pois não será um barulho fora do contexto, reprovável. Diferente daquela pessoa que deixa o celular tocando diversas vezes uma música pornográfica ou daquela que atende do seu lado e começa a comentar em voz alta sua vida íntima e suas desventuras familiares, ou seja, poderá ser um som mais baixo que a gritaria do bebê, mas com certeza será muito mais irritante e constrangedor até.

Então é isso, nas minhas andanças observei que existem barulhos e barulhos e que não é necessariamente o volume que determina o nível de pertubação, portanto não fiquem bravos com um bebê chorando, a não ser que ele esteja chorando dentro da biblioteca.

o irsom muito mais alto que um sussurro perturbaç adequado para o estudo, por exemplo. Uma pessoa que tenta se concentrar numa