sábado, 29 de junho de 2013

Somos idiotas?


Notícia de ontem.

O Governador Sérgio Cabral adotou uma estratégia: convidou supostos membros da turma que está acampada em frente ao prédio onde mora para conversar. O nome do grupo: "Somos o Brasil". Reportagens deram conta de que o "grupo" recebido pelo Governador não permanecia acampado no Leblon. O representante do grupo não sabia nem o que dizer quando questionado sobre a reivindicação do grupo:

— Nesse primeiro momento só reivindicamos o controle das manifestações e a segurança. A maioria das pessoas não está se sentindo segura para se manifestar, que é um direito legal. Estamos fazendo uma pauta que será entregue ao governador.Se você tem um grupo e tem algo a dizer, por favor, se comunique. Nós viemos abrir um canal de comunicação com o senhor governador. Sem mais declarações e obrigada — concluiu deixando para trás e sem respostas os repórteres de sua primeira coletiva. (http://oglobo.globo.com/rio/manifestantes-que-estavam-acampados-no-leblon-sao-recebidos-por-cabral-pedem-mais-seguranca-8831612)

Este grupo tem facebook, fanpage e site (que está sendo criado, segundo o seu representante ). O principal objetivo: ser a voz do povo junto ao governador.

Notícia de hoje.

A Presidente Dilma recebeu movimentos jovens afinados com o governo e promete criar canal de diálogo virtual com os jovens. Na foto do O GLOBO já dá para ter uma ideia do sentido da reunião. Alguns dos movimentos sociais presentes são simplesmente movimentos da base do Governo (remunerados pelo governo): MST, UBES, UNE, PDT… etc. Parece brincadeira. No fundo o objetivo é o mesmo, canalizar as manifestações por um canal sobre o qual o Governo tenha o controle.

No caso do Rio de Janeiro a situação é descarada. A imprensa não pode registrar a reunião. E o intuito é transformar a voz do povo numa voz controlada. Controlada por eles. Veja a reportagem do Jornal do Brasil que chama a reunião de "mandrake".

(http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/06/27/reuniao-mandrake-de-cabral-revolta-manifestantes-que-estao-no-leblon/)

Então eu pergunto: somos idiotas?

domingo, 23 de junho de 2013

A solução é quebrar o cartel.

O blog viomundo transcreve entrevista da Prof. Marilena Chaui sobre a decisão do Prefeito Haddad de baixar as tarifas de ônibus. Nesta entrevista concedida a uma rádio ela informa que a ex-Prefeita do município de São Paulo Erundina tentou implementar uma proposta de tarifa zero e a resistência foi implacável. O problema é que as cidades não são donas do serviço público de transporte e este serviço não está à disposição do cidadão. É um cartel, como o mais humilde e desinformado indivíduo das grandes cidades pode facilmente perceber. Só que é um cartel que patrocina grandes campanhas eleitorais. É uma questão a ser discutida na reforma política.

O link para a entrevista: http://www.viomundo.com.br/politica/marilena-chaui-haddad-tem-que-quebrar-o-cartel.html

Sobre a classe média.



"A classe média" coluna de hoje de Merval Pereira traz uma reflexão sobre a postura política do Movimento Passe Livre que ele considera como participante da esquerda radical.

Reflete também sobre o que a nota oficial do MPL disse indiretamente trazendo para o contexto atual discurso da filósofa Marilena Chaui em evento comemorativo dos 10 anos do PT no poder: "A classe média é o atraso de vida, (...) é estupidez (...) é facista (...) é violenta".

A coluna está disponível no link: http://oglobo.globo.com/blogs/blogdomerval/

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O NASCIMENTO DE UM NOVO BRASIL.


Os protestos ocorridos no Brasil foram abordados através de vários pontos de vistas. Trago outra reflexão. O estudante de Direito por vezes se vê diante do estudo de uma potência muito difícil de ser conceituada: o poder constituinte.

As manifestações que ocorreram e continuarão ocorrendo são sinais claros de que este poder nunca dorme, não se encerra na promulgação da constituição, na verdade resiste a ela para continuar como procedimento absoluto de transformação, a própria revolução.

Esta revolução é onipotente, presente no coração de todos e viu a constituição incapaz de impedir o governo da corrupção, incapaz de impedir que os falsos representantes tomassem o Estado para si como se donos fossem. Resolveu, então, agir.

Nas redes sociais ainda se vê alguns desconfiados da capacidade do (novo) povo brasileiro de transformar, tamanha foi nossa tolerância com os desmandos e corrupções que tomaram o Congresso, Câmaras e Assembléias de assalto (ou por assalto) nas últimas décadas. Leio alguns argumentos do tipo: reclama da Copa, mas vê o jogo; não gosta da Globo, mas assiste novela; e etc.

Reclama da passagem, mas anda de ônibus? Seria possível argumentar assim? Claro que não. Não se preocupem, é apenas um início de reflexão, pois analisando a fundo eles perceberão que muita gente estava na audiência pública do Maracanã lutando contra a sua “venda” para a iniciativa privada e ficou perplexo com o discurso do representante do governo do Estado do Rio de Janeiro que, em certo momento chegou a dizer que qualquer cidadão tem uma TV de 60 polegada e o Maracanã precisaria concorrer com este fato. Quanto ao Mensalão, vigiávamos o desfecho que o STF guardava para os corruptos, ou alguém hoje tem dúvidas de que a absolvição dos mensaleiros teria antecipado a onda de protestos.

Retomando o raciocínio, esta Revolução dos Jovens (de todas as idades) é para ser ouvida e respeitada. Não pode o Prefeito do Rio de Janeiro, por exemplo, continuar dizendo: “estou aberto à diálogos”. Bom, não tem diálogo com ele. Quem tinha que decidir, já decidiu. Quem tem de fato o poder? É o povo. Cabe ao prefeito acatar o que decidimos, equacionar a situação e buscar a melhor via para cumprir, de início, a ordem para reduzir as passagens.

Está claro que não há, na hierarquia das normas jurídicas, nenhuma acima daquela que emane do poder constituinte, da revolução. Fizemos apenas um pequeno barulho, nada comparado ao que virá se continuarmos a ser desrespeitados. E se a Constituição não encerra o poder constituinte, ele se manifestará mesmo que não seja para mudar por completo a Constituição e sempre se fará presente.

O objetivo destes protestos foi claro: elevar a um patamar diferenciado determinado valor. O valor que vejo brotar das ruas é aquele que não tolera a corrupção e não tolera gastos públicos distanciados do interesse do povo. A todos que interpretam as normas do ordenamento jurídico é o tempo de não subestimar a presença deste valor nos casos concretos.

Em cada pessoa que esteve na passeata do Rio de Janeiro, ou pelo Brasil, e que de alguma forma esteja participando, foi renovado o espírito da revolução (poder constituinte): nós somos os donos do poder, todos, juntos.

Rio de Janeiro, 19 de junho de 2013.

Leo Saoli.