quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O jeitinho e a moral da história...

Nos últimos dias o esporte nos trouxe exemplos que como uma atitude pode ser legal sem ser legítima ou moral. Noticiam os jornais de hoje o seguinte caso: numa partida de futebol entre um time da Ucrânia e outro da Dinamarca ocorreu um choque entre dois jogadores no momento em que o time da Dinamarca estava com a bola dominada. A partida foi paralisada para o atendimento médico e, logo após, o árbitro chamou dois jogadores de cada equipe para fazer a tradicional bola ao chão. É costume, fair play, jogo limpo, que se devolva a bola para o time que estava com ela antes da interrupção. O jogador do time ucraniano então chutou a bola no sentido do goleiro da equipe dinamarquesa, quando de repente, surge Luis Adriano, jogador brasileiro, que joga na equipe da Ucrânia, domina a bola e parte para o gol sem que os jogadores da equipe dinamarquesa ofereçam resistência. Ele "dribla" o goleiro que está parado e toca para o gol vazio fazendo o gol.

A comunidade esportiva é quase unânime em condenar esta atitude. O árbitro validou o gol pois não ocorreu violação de qualquer regra do futebol. A revolta foi geral. Bom, o jogador disse que estava desatento e não percebeu que a bola fora "recuada" para o goleiro. Vamos deixar o caso concreto de lado e passar a imaginar. Suponhamos que a intenção do jogador tenha sido de fato não jogar limpo. A atitude teria sido reprovável moralmente, mas mereceria a validade pelas regras do jogo. 

No nosso dia-a-dia temos vistos diversas situações como esta em outras áreas. Sob o argumento de que a lei não proíbe, de que a lei permite ou mesmo naquele pensamento "é rapidinho, nem vai incomodar" pratica-se ações claras de desrespeito ao próximo. Não perderei tempo falando dos políticos. Estou falando de qualquer cidadão. O que avança o sinal (semáforo) vermelho pensando que passará rapidinho e o pedestre nem vai esperar tanto, pois caso pare o carro ficará "horas" parado esperando o sinal abrir. O que joga lixo no chão e pensa "só este não é a causa do aquecimento global". Aquele que ainda hoje tenta se convencer que o oceano é tão grande que todas as porcarias do mundo não são páreas para ele. Ou o jogador que simula, se joga, pensando que pode simular e tentar fraudar o quanto quiser, pois "se não for falta é só o árbitro não marcar, ué...".

Bom, acontece que estas atitudes na maioria das vezes são desculpas que se inventam para fugir das responsabilidades. O jogador deu seu jeitinho. Não está certo. Ao jogar um sofá no rio com naturalidade, com a mesma naturalidade se omitirá quando for informado que determinada indústria faz a mesma coisa. E assim por diante.

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