sábado, 27 de outubro de 2012

Habitualidade...

Um dia desses li na internet que uma moça estaria leiloando sua virgindade. Nos comentários, não faltou quem a qualificasse como prostituta. Refleti, refleti... Aparentemente a intenção da moça não era se prostituir, tratava-se salvo engano de programa de televisão que produziria um documentário sobre a perda de sua virgindade, algo do tipo. Arte? Prostituição? Bom, a discussão é boa. O fato é que ela estava sendo remunerada para fazer sexo. Os comentários são cabeludos, mas me concentrarei para expor sobre o argumento da prostituição. Quem se prostitui é profissional. Para que haja profissionalismo é preciso habitualidade e, falando friamente, a venda da virgindade não poderia ser assim encarado visto que só se poderia vender uma vez! Não há como negar que existe uma questão moral colocada em jogo. Uma pessoa não deveria precisar vender seu corpo (ou alugar, sei lá) para satisfazer outra pessoa sexualmente. Para Kant esta é uma situação que ofende a dignidade humana, é não tratar o outro ser humano como um fim em si mesmo. Por outro lado para ele, fazer sexo fora do casamento também não era digno, então... Retomando o raciocínio, mas e se ela não precisa, é maior de idade e mesmo assim quer fazer? Bom, nesse caso não há razão para que a sociedade se preocupe com isso. Se é uma opção, a pessoa se resposabilizará pelo resultado dessa escolha. No Brasil se prostituir não é crime. Crime é explorar o outro a se prostituir. O que a sociedade precisa se preocupar é com a prostituição infantil e com os casos em que a prostituição é elemento de crime. Assim, por mais questionável que seja o ato de vender a virgindade, a moça não pode ser considerada prostituta, mas se vier a se tornar um dia, não será com a venda da virgindade e requererá habitualidade para que seja considerada uma profissional.

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