segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Campeonato Brasileiro: de quem é a conta?

O futebol, em que pese ser uma “paixão” nacional é uma atividade desenvolvida por entidades privadas. Clubes de futebol, a despeito de serem entidades associativas, em tese, sem fins lucrativos, faturam milhões e, ainda, realizam contratações milionárias. Bem, e daí???

Daí??? Nada, se não fosse por um detalhe: o dinheiro público envolvido nessas atividades, privadas. Seja diretamente, seja indiretamente[1].

Todos (ou quase todos) esses clubes de futebol que disputaram o Campeonato Brasileiro de 2009 estão na lista de devedores da União[2]. Devem bastante dinheiro em impostos e à Seguridade Social. Alguns diriam: “e daí, todo mundo deve”.

É verdade, muitos devem; todo o tipo de empresa deve tributos ao Estado. Dinheiro esse que serviria para políticas de saneamento básico, meio ambiente, educação, etc. Mas uma coisa chama atenção nos jogos de futebol. Em especial, nessa rodada do fim do ano: o aparato público disponível para assessorar tais atividades.

No jogo do Fluminense e Curitiba, jogado no Paraná, até a Polícia Rodoviária Federal entrou em campo com um helicóptero para auxiliar a (des) organização do jogo. E olha que lá já havia diversos policiais locais para dar “cobertura” ao jogo. Não raro, nos jogos de futebol se vê policiais militares fazendo a “segurança” de árbitros de futebol. Quem dera se cada brasileiro pudesse ter essa segurança toda!!!

Ora, se estamos diante de uma atividade privada milionária por que é que necessita utilizar recursos públicos diretos em seus eventos? Por que esses clubes de futebol não contratam seguranças particulares para seus eventos, ao invés de utilizar a polícia estadual e, agora, até a federal, como se viu na pancadaria do jogo do Fluminense e Curitiba?

Parece que está sobrando policial nos Estados desse país de dimensão continental. A política de segurança vai uma maravilha a ponto de se colocar policiais para realizar a segurança de árbitros de futebol. E olha que essas entidades milionárias não pagam nada a mais por isso. Quem paga a conta é todo brasileiro que contribui com impostos, goste ou não de futebol.

Aliás, o policial atingido por torcedores, dentro do campo de futebol do Curitiba, que, com certeza, vai ganhar uma licença médica, vai ter o tratamento custeado, adivinha por quem?

Se você disse: “pelas entidades esportivas”; eu só posso dizer há há há...
________________________________________________________________
[1] A Lei 11.345/2006 cria um concurso de prognóstico (grosso modo: “raspadinha”) com o objetivo de quitar débitos dos clubes com a Seguridade Social.
[2] Ver Lista de Devedores, regulamentada pela Portaria PGFN nº 642, de 01 de abril de 2009, disponível no site da PGFN (http://www3.pgfn.gov.br/)

Nenhum comentário: