sábado, 18 de outubro de 2008

“Estratégia”: um seqüestro em São Paulo

Em Direito existe uma máxima que diz que a vida, a liberdade, a personalidade, ou seja, qualquer direito que confira um mínimo de dignidade para que alguém possa existir como pessoa se revela indisponível. Exemplificando: uma pessoa não pode vender sua vida, também não se pode incentivar alguém a tirar a própria vida. A lei penal proíbe, ainda, que o indivíduo venda, doe ou troque sua liberdade por qualquer que seja a quantia (não parece, mas é verdade). Não se pode vender um braço, uma perna, etc. Não se pode trancar ninguém em um quarto fechado eternamente, ou por um segundo que seja, contra a vontade da pessoa. Tampouco alguém pode vender sua própria liberdade.

A partir disto são vedadas e não fomentadas diversas condutas que possam afetar um indivíduo em sua integridade, que agridam a vida, liberdade, etc. O que a lei quer, além de proteger o indivíduo de diversas formas, é impedir que o ser humano seja utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo, como ocorreu na escravidão, na revolução industrial e em diversas partes do globo terrestre.

Novamente leio no jornal uma situação onde o indivíduo foi utilizado de forma contrária com o que eu disse acima. Tratado com total indiferença, servindo de meio a um objetivo desvirtuado. E o pior, falo aqui de uma criança, falo de Naiara Vieira, de 15 anos, que após ser libertada por um seqüestrador em São Paulo foi novamente levada ao cativeiro, pois de acordo com a polícia o “delinqüente” mataria a outra refém, Eloá, também de 15 anos. Resultado desta irresponsabilidade: Eloá levou dois tiros, um na cabeça e outro na virilha e está em coma, enquanto sua amiga Naiara foi baleada na boca.

Como pode a polícia, após o êxito de conseguir libertar um refém, permitir que esse mesmo refém voltasse ao cativeiro? Como pode os pais, o juizado de menores, o delegado, o coronel, qualquer autoridade que seja, deixar a menina, que não tem, ainda, maturidade para decidir o próprio rumo da vida, voltar ao cativeiro para fazer o que quer que fosse, ainda que para salvar a amiga?

Até quando a sociedade vai cegar diante da realidade de que o ser humano não pode ser utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo? Como “estratégia”, segundo a polícia. Só posso concluir da seguinte forma: é a indiferença atacando de novo!!

2 comentários:

Leo Saoli disse...

Você falou o que era preciso!!
E, olha, to contigo no DIA DA DIFERENÇA. Na verdade, o 'nome' do dia, tem poesia e filosofia e, por isso, pode gerar confusão, ser mal compreendido como você mesmo alertou..rs

Julio Cesar Oliveira disse...

É verdade. Se for mal compreendido pode gerar confusão. Mas acho importante que a gente organize algo nesse sentido. Mesmo que seja só nos dois!!