quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O estado do Brasil. Prognóstico sobre a situação política do Brasil.(Leo Saoli)

Peço licença para reproduzir aqui um texto que escrevi em 26/09/2006, às vésperas das eleições daquele ano, vamos refletir:
"Amigos,
A situação política do Brasil tem trilhado um caminho perigoso. Sejamos sinceros, quem nunca ouviu a seguinte exclamação: Política! Estou fora! A frase é o símbolo do prognóstico aqui traçado e de repulsa ao processo político.
Tratar de política é tratar de problemas, problemas estes que são seus, meus, de todos nós. E por que raios apenas uma parcela dos cidadãos (os políticos) se obriga com a solução dos seus problemas enquanto que você se pudesse, nem votar votaria? Realmente não vejo razão.
A progressão dessa situação, o afastamento da população das políticas públicas, levará o país a se preocupar apenas com os interesses dos políticos demagogos que, a cada dia que passa, se tornam mais obscuros. São eles quem decidem sem que tomemos qualquer posição nesse processo decisório. Mesmo quando vemos uma manifestação, pode-se observar que nela muitas pessoas são remuneradas para isso. Mercenários!
Nas eleições, então, nem se fala. As passeatas e os comícios não são compostos por público ou platéia, mas sim por empregados. Que sejam remunerados, tudo bem! Não serei radical ao ponto de crucificar pessoas que realmente precisam deste salário. Mas o que se vê são pessoas que se transformam em sedentos defensores desses políticos única e exclusivamente por estarem empregados por eles. Nessa situação essas pessoas tiveram seus votos comprados. O pior é que passam a defender com unhas e dentes tal candidato sem nem ao menos conhecê-lo. São presas fáceis.
Isso eu digo aqui, na capital do Rio de Janeiro. Porém, essa situação se agrava quando a troca se dá pela fome e pela miséria. Imaginem o número de votos comprados que existem pelo Brasil afora. Tenho certeza que nenhum de vocês, destinatários deste prognóstico, está perto da linha da pobreza. Mas, talvez, alguns de vocês estejam vendendo o seu voto como na hipótese aqui colocada.
Talvez eu também o faça sem saber. Porém, não devemos nos abater, nos acomodar. Não podemos ser preguiçosos! Se nós, que temos condições de ter acesso à informação, na medida do possível, livre de impurezas, desistirmos, como estão desistindo os adeptos do voto nulo, não restará alternativa. O Brasil caminhará até retornar à ditadura. Veja o porquê.
Como o exposto nas linhas acima, grande parte da população entrega o voto por um prato de comida. Não se pode crucificá-las por isso, a questão é de sobrevivência. Essa parcela da população não se vale do sufrágio, não têm escolha, pois a única luz é a daquele assistencialismo barato. Sua luz não é clara, é turva, ilusória.
Uma outra parcela da sociedade, nós, temos o acesso e a oportunidade de enxergar uma luz mais límpida. A vida é difícil, mas isso não pode vedar sua responsabilidade para com a vida em sociedade. Devemos procurar firmar nossa convicção em bases seguras e para isso é preciso se esforçar para alcançar uma opinião e não mera repetição de argumentos. Voltando ao ponto em questão (ditadura), se cada cidadão entender que não deve se envolver com a política, que não deve opinar sobre qual política adotar para determinado assunto, as vozes que resolverão o caso diminuirão, dia após dia, até que sobre apenas uma voz, ou a voz de um grupo apenas. Você não será mais representado. Estará à margem.
A democracia é feita pela comunhão de diversas vontades, se permitirmos a diminuição desse número de vontades a tal ponto de se tornar singular, a forma de governo não será mais dirigida pela vontade popular, a qual, por incrível que pareça, haverá decidido não decidir mais nada. Talvez muitos não tenham atentado para isso. Talvez tenham, mas se considerem sem forças para mudar. Não se espera que uma pessoa, sozinha, altere essa situação, mas você pode alterar o seu estado.
E quando digo estado, refiro-me a sua própria situação. Exijo que estude, analise, busque a informação, não desista. Sem você nesse processo político não há democracia e nós dois viveremos como escravos das decisões dos corruptos. Não podemos aceitar que nossa geração seja marcada pela abstenção. Devemos resistir à insuportável idéia de que nossa maior conquista seja a do voto facultativo, como se desenha na atual conjuntura. O voto facultativo é a bandeira de quem deseja que o prognóstico aqui exposto se realize. Não podemos admitir isso. Só duas intenções defendem o voto facultativo: 1) Quem não deseja participar do processo político; 2) Quem deseja diminuir as vozes que decidem as políticas públicas. Por outro lado quem participa, e não vê possibilidade de deixar de fazê-lo nem precisa tocar no assunto.
Pensem nisso e opinem!"

sábado, 18 de outubro de 2008

“Estratégia”: um seqüestro em São Paulo

Em Direito existe uma máxima que diz que a vida, a liberdade, a personalidade, ou seja, qualquer direito que confira um mínimo de dignidade para que alguém possa existir como pessoa se revela indisponível. Exemplificando: uma pessoa não pode vender sua vida, também não se pode incentivar alguém a tirar a própria vida. A lei penal proíbe, ainda, que o indivíduo venda, doe ou troque sua liberdade por qualquer que seja a quantia (não parece, mas é verdade). Não se pode vender um braço, uma perna, etc. Não se pode trancar ninguém em um quarto fechado eternamente, ou por um segundo que seja, contra a vontade da pessoa. Tampouco alguém pode vender sua própria liberdade.

A partir disto são vedadas e não fomentadas diversas condutas que possam afetar um indivíduo em sua integridade, que agridam a vida, liberdade, etc. O que a lei quer, além de proteger o indivíduo de diversas formas, é impedir que o ser humano seja utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo, como ocorreu na escravidão, na revolução industrial e em diversas partes do globo terrestre.

Novamente leio no jornal uma situação onde o indivíduo foi utilizado de forma contrária com o que eu disse acima. Tratado com total indiferença, servindo de meio a um objetivo desvirtuado. E o pior, falo aqui de uma criança, falo de Naiara Vieira, de 15 anos, que após ser libertada por um seqüestrador em São Paulo foi novamente levada ao cativeiro, pois de acordo com a polícia o “delinqüente” mataria a outra refém, Eloá, também de 15 anos. Resultado desta irresponsabilidade: Eloá levou dois tiros, um na cabeça e outro na virilha e está em coma, enquanto sua amiga Naiara foi baleada na boca.

Como pode a polícia, após o êxito de conseguir libertar um refém, permitir que esse mesmo refém voltasse ao cativeiro? Como pode os pais, o juizado de menores, o delegado, o coronel, qualquer autoridade que seja, deixar a menina, que não tem, ainda, maturidade para decidir o próprio rumo da vida, voltar ao cativeiro para fazer o que quer que fosse, ainda que para salvar a amiga?

Até quando a sociedade vai cegar diante da realidade de que o ser humano não pode ser utilizado como objeto, como meio de se conseguir algo? Como “estratégia”, segundo a polícia. Só posso concluir da seguinte forma: é a indiferença atacando de novo!!