quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A indiferença é mundial

Li assustado na grande mídia que um estudante finlandês, seu nome Matti Juhani Saari, de 22 anos, matou dez pessoas. Informava a notícia que a polícia encontrou em seu quarto bilhetes onde afirmava que odiava “as pessoas e a raça humana”. Essa não é a única história de jovens que resolvem destruir o mundo a sua volta, exterminando pessoas. Entretanto, o que me causa mais espanto é que o caso me faz pensar em algo muito maior que está por trás dessa tragédia: a indiferença.

As crianças de hoje já estão crescendo acostumadas com a indiferença pelo próximo, embora haja quem lute contra isso, parece-me que a batalha está sendo vencida por ela. Certa vez, passando por um mendigo que estendia a mão pedindo esmola, me perguntei se as pessoas o observavam. Decerto que os adultos possuem muitos argumentos (não que sejam verdadeiros) para nem olhar para o súdito dono do chão. Mas as crianças não. Na ocasião, observei que duas crianças (de aproximadamente dez anos) ao passarem por esse mendigo, acompanhadas da mãe, sequer olharam para ele, sequer perguntaram por que estava ali.

Obviamente que a questão se resolve pela educação, pela informação, pela mudança cultural, que pode levar anos. Entretanto, uma postura que poderia ser adotada é que ninguém fique mais indiferente a nada, pois esse estudante finlandês que matou uma dezena de pessoas em um momento da sua vida foi vítima da indiferença. Seja pela ausência de seus pais, seja pela ausência de seus amigos, seja pela ausência do Estado, seja pela ausência de qualquer um que poderia ter observado seu comportamento e lhe mostrado o outro lado da vida, a possibilidade de seguir por outro caminho.

É comum atribuirmos a responsabilidade pela educação das crianças aos pais. Concordo. Mas, não pode ser somente isso. É preciso que todos participem do aprendizado de qualquer criança, seja dando exemplo na rua, seja mostrando-lhes a forma correta de agir. As crianças são criadas para um dia ganharem o mundo, porém se são ignoradas crescerão com o sentimento de insegurança, que pode se transformar em desejo de autodestruição, levando consigo quem está a sua volta: você, sua família ou seus amigos.

Já escrevi sobre a indiferença antes no blog Isagoria Nacional, no texto “Morte à Indiferença” (http://isagorianacional.blogspot.com/) e tornarei a escrever quantas vezes forem necessárias para chamar a atenção para algo que é imperceptível pelos olhos da mecanização.

6 comentários:

Fred Alencar disse...

Concordo em gênero, número e grau com o texto acima. A indiferença se tornou o lugar-comum para todos. Não apenas com a pobreza alheia e violência, mas também com as peripércias de nossos políticos e representantes.
A realidade dura e cruel de hoje em dia é escondida atrás de uma cortina fina, mas eficaz: nossa consciência. Ou melhor, a falta dela.

Julio Cesar Oliveira disse...

A vida anda tão mecanizada que as pessoas às vezes esquecem, ou melhor, não lembram de refletir sobre os acontecimentos do cotidiano. A preocupação com projetos individuais (comprar o carro, a casa, ganhar dinheio, trabalho, viagens, etc) revela o egocentrismo que habita no ser humano. Vamos continuar de olho!

Julio Cesar Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leo Saoli disse...

É um cenário preocupante de pessoas sem valor, de poucas virtudes, pessoas fracas; que escolhem ignorar... Nós mesmos talvez. Qual a consequência?? Está por vir e não é boa coisa. Vamos tentar mudar. Quem vai na frente? Abs.

Roberta disse...

É Leo, acho que isso aqui já é um começo, nós termos consciência que o problema existe e tentarmos acrescentar esse olhar diferenciado ao outro no nosso dia a dia.
Uma gentileza, um sorriso, um olhar atencioso, pequenas atitudes que fazem uma enorme diferença!!!!!!!!
Bjos e ótima semana meninos!!!!!
Roberta Louzão.

Julio Cesar Oliveira disse...

Se a indiferença existe...e cada vez mais se torna evidente, acho que deveríamos criar o DIA DA DIFERENÇA...parece discriminatório, mas não é...Seria o dia em que nós faríamos a diferença, com gestos simples de getileza, tal qual fazia o poeta urbano cantado por Marisa Monte. Seria apenas para lembrar que devemos perceber os outros como seres iguais e que merecem respeito e dignidade. Quem topa?