sábado, 28 de junho de 2008

Beber ou dirigir eis a questão!

Está em vigor, desde do dia 20.06.2008, a Lei nº 11.705/2008, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro, para inaugurar a era da tolerância zero nas ruas de todo o Brasil. Esta lei prevê que qualquer concentração de álcool no sangue sujeita o condutor a algum tipo de penalidade, tais como multa, suspensão do direito de dirigir por 12(doze) meses e prisão.

Antes, configurava crime o ato de beber e dirigir apenas se comprovado que o motorista bêbado dirigia perigosamente expondo a perigo a incolumidade de outrem. Para a atual Lei 11.705/08, basta que o motorista encontre-se alcoolizado (concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas) para a configuração do crime. É importante frisar a mensagem que o legislador quis passar e que ouvimos diariamente nos comerciais de televisão: SE BEBER NÃO DIRIJA!

Essa medida é acertada. É recorrente na mídia a notícia de vidas perdidas por acidentes causados por motoristas bêbados. Quem não se revoltou com uma situação dessas? E quem nunca bebeu e dirigiu? O responsável pelo acidente, na maioria das vezes, não é alguém que se dedica a praticar crimes. Mas do outro lado a família e a vítima também não.

Antes dessa lei a punição para quem bebia e dirigia era apenas administrativa. Não era crime beber e dirigir. Somente configurava crime se, além de beber e dirigir, o cidadão ainda dirigisse perigosamente. As notícias de mortes no trânsito indicavam a insuficiência da puniçao administrativa e para a configuração do crime, provar a direção perigosa era um obstáculo que favorecia a impunidade. O ordenamento jurídico, diante disso, precisava de alteração.

A ação de beber e dirigir passou a configurar crime se comprovado concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. A lei penal não mais permite que o condutor dirija alcoolizado, pois passou a presumir o risco. A lei penal agora entende que basta dirigir alcoolizado para expor a dano potencial a incolumidade de outrem.

Eliminar por completo os acidentes causados pela combinação álcool e direção é missão impossível. Porém, não vejo, a princípio, em relação ao objetivo que se busca, uma desvantagem sequer da nova legislação em relação a anterior. Muitos vão reclamar. Mas o objetivo não é proteger o motorista que bebe, não é preocupação com sua saúde frente aos prejuízos que o álcool traz. A finalidade é evitar os acidentes. Proteger a incolumidade de todos que transitam pelas ruas.
Portanto, SE DIRIGIR NÃO BEBA. SE BEBER NÃO DIRIJA.

Link para Lei 11705/08: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A caixinha de surpresas

Existem coisas na vida que modificam nosso ânimo em relação ao mundo, mesmo que nada tenha sido feito de concreto para nos atingir. Somos tomados por um sentimento de raiva e frustração que pode fazer com que nosso dia seja um fardo. Diversos sentimentos poderiam se enquadrar na situação que pretendo descrever, mas, agora, falarei de dois em especial: a expectativa e a surpresa.

O que você faria se a pessoa que você está paquerando esquecesse de lhe ligar, tal como disse que faria? Ou, se o seu chefe não lhe desse a promoção que você esperava pelo trabalho bem feito? Ou, ainda, se de repente o resultado na prova, pela qual você estudou o ano inteiro, lhe fosse desfavorável? Nessas situações, muitos ficariam “chateados, desmotivados, sem vontade de cantar uma bela canção” (mas não Joseph Climber!!!), o que poderia ser prejudicial para auto-estima.

Agora, se pensássemos em hipótese inversa e fizéssemos a mesma pergunta acima, em outro contexto, a situação se modificaria. Imagine se ao chegar do trabalho cansado, sem pensar em nada, depois de ter esquecido o celular em casa (que bom!), percebesse que havia diversas chamadas da pessoa que você sequer cogitava que fosse te ligar. Ou, se ao chegar no trabalho, depois de ter saído de uma festa de aniversário (você nem teve tempo de dormir), seu chefe lhe dissesse que lhe daria uma promoção. Ou, ainda, se, após estudar o ano inteiro, sem abdicar do lazer, descobrisse que fora aprovado em várias provas de concurso público (você fez uma atrás da outra), podendo escolher qual cargo ocupar.

Os exemplos acima são apenas ilustrativos de que ao modificarmos nossa percepção da vida, do cotidiano, poderemos ter momentos prazerosos como uma boa surpresa. Quando esperamos muito alguma coisa, e criamos uma expectativa de que isso acontecerá, poderemos ter uma surpresa negativa: não acontecer o que esperamos. No entanto, se não ficarmos na expectativa do resultado, mas concentrarmos esforços nos meios de alcançá-los (agradar alguém, trabalhar bem, estudar legal) a possibilidade de surgir uma surpresa positiva é grande. Isso porque o resultado de nossas ações não está sendo esperado e se a surpresa negativa acontecer (a pessoa não ligar, não ser promovido, não passar na prova), não será percebida, não sendo uma surpresa real em nossas vidas.

Isso é o que eu chamo de dialética da surpresa e da expectativa. Quanto maior a expectativa que você deposita em algo (receber um telefonema, ganhar uma promoção, passar em uma prova), maior será a chance de você perceber e sentir os efeitos de uma surpresa negativa. De forma proporcionalmente inversa, quanto menor suas expectativas com relação a algum acontecimento, menor será a percepção da surpresa negativa e maior felicidade se perceberá com a surpresa positiva.

Não estou querendo, com isso, dizer para sermos pessimistas, mas apenas para realizarmos nossos atos sem esperarmos nada em troca (princípio da solidariedade). Como serviu para Joseph Climber, também nos orientará: “A vida é uma caixinha de surpresas”.