quarta-feira, 21 de maio de 2008

Idéias Abstratas

Uma coisa que eu percebi ao observar o comportamento das pessoas é que cada um fala o que quer, sem qualquer preocupação com a verdade. Se é que existe uma. Parece óbvio em tempos democráticos, onde o rigor da ditadura não está mais presente, ao menos aparentemente. O que eu quero enfatizar com isso é que cada vez mais “idéias” são difundidas no seio social, pouco importando se estão baseadas em algum tipo de princípio ou mesmo se possuem algum indício de verdade. Isso faz com que se exija maior qualificação do indivíduo receptor para que seja apto a separar o joio do trigo.

Todo mundo deve conhecer os conceitos de raça ariana, terrorismo, eleitor, consumidor, meio ambiente, direitos fundamentais, etc (ao menos deveriam). Poucos, no entanto, saberiam dizer o que eles têm em comum. Eu, talvez, com a probabilidade de ser tachado de louco, vos direi. Embora possam ser expressões consideradas destoante, todas têm algo que as interligam como axônios de neurônios. São expressões que colocam o ser humano em segundo plano. Consubstanciam em uma tentativa de reificação do ser humano. Somos transformados em coisa. Deixamos de ser o fim de todas as coisas e passamos a ser o meio de alcançar algo (ainda que um desejo obscuro).

As expressões antes citadas serviram para aqueles que detinham o poder, em determinado momento, justificarem suas ações em nome de objetivos não esclarecidos (ao menos oficialmente). Hoje isso, para mim, fica mais claro do que água. Hitler se valeu da raça ariana, os EUA se valeram do terrorismo e direitos fundamentais, os políticos de hoje utilizam o eleitor, os grandes monopólios os consumidores.

De fato, deixei de citar, propositadamente, no parágrafo anterior um conceito: o meio ambiente. Quem será que o utilizará nos dias atuais? Bem, as últimas notícias do New York Times parecem nos dar algum indício (a Amazônia é do mundo).

Sempre aprendi em biologia que as algas marinhas eram responsáveis por noventa porcento do oxigênio do mundo, pois não consumiam todo aquele que produziam, ao contrário da floresta amazônica (biólogos me corrijam se eu estiver errado). Por que, então, a preocupação do mundo com a Amazônia? Será que a matéria prima lá existente tem alguma coisa a ver com isso???

Hummm...é melhor prepararmos nosso exército, sem querer ser pessimista, ou reconhecermos nossa incompetência e vendermos a floresta para os estrangeiros. Ao menos evitaremos mortes como ocorreu com a raça ariana, terrorismo, direitos fundamentais, eleitor, etc.

Não há outra conclusão: as idéias são abstratas, cada um faz delas o que bem entender e com o meio ambiente não vai ser diferente.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Enquanto houver hoje...

A vida hoje anda tão mecanizada que, não raro, as pessoas não percebem o quanto ela pode nos fornecer princípios de vida nas situações mais simples do cotidiano. Falo em perceber, no sentido de refletir sobre os acontecimentos da realidade, tal qual tentamos fazer aqui no Questão Atual. Lembre-se: olhar um quadro de um artista não é o mesmo que percebê-lo.

Segunda-feira, 21 horas, chego do trabalho (em São Paulo), cansado, e resolvo ir ao restaurante do Flat, onde moro, para jantar. Para quem não sabe, esse é o dia em que costumo iniciar minha dieta (o término é na sexta, quando vou para o Rio). Pois bem. Pedi ao garçom, óbvio, um prato cheio de salada com frango grelhado (não sei qual foi o gordo desalmado que inventou essa combinação!!!). Após me “empanturrar”, resolvo pedi a conta, quando veio a “infeliz” pergunta:

- Não vai querer sobremesa, hoje?

De fato, na sexta passada eu já havia pedido sobremesa, por isso a pergunta do garçom. Foi quando fui tomado por um súbito pensamento racional: “claro que eu não vou querer. Acabei de começar minha dieta, depois vou ficar com peso na consciência”.

- Quero. Traz para mim o de sempre (petit gateu).

Com certeza o inventor desse doce devia ser magro. Misturar sorvete de creme com um bolinho com recheio de chocolate derretendo dentro é de uma genialidade incrível. Gordo não tem capacidade para inventar essas coisas (só para comer). Para completar, o gerente do restaurante passa na hora e comenta:

- Aí Julio, comendo sobremesa!
- É só hoje – respondi o que havia dito da última vez.
- Enquanto houver hoje... – retruca o gerente rindo.

Talvez ele não tenha percebido, mas aquele início de frase “Enquanto houver hoje...” é um grande princípio para resolver pensamentos negativistas que surgem em nosso dia-a-dia. Na hora em que ele retrucou, eu completei a frase mentalmente: “Enquanto houver hoje...não precisarei do amanhã” e fiquei refletindo sobre ela. Muitas vezes, problemas que transferimos para o amanhã poderiam ser resolvidos hoje. Isso em qualquer situação: relacionamentos, trabalho, amizades, filhos, etc. Outros tantos, criamos hoje em nossa mente, sem sabermos se eles existirão amanhã. Nos preocupamos à toa.

Moral da história: Para que comer o petit gateau só na sexta se eu posso comer na segunda!?