domingo, 27 de abril de 2008

Tocha do Protesto

Não sei quanto aos meus amigos mais velhos, mas nunca vi um desfile mundial tão contestado. Aliás, perguntei para alguns velhos amigos se eles já viram a Tocha Olímpica ser tão repudiada dessa forma e quase todos disseram que não. Por onde passa, a pobrezinha é recebida com protestos sérios, agressivos e que muitas vezes até a impede de completar o percurso. Tudo em nome do Tibet. Ou Tibete, como você preferir. Uma extensa área de terra nas alturas – alguns pontos chegam a mais de quatro mil metros de altura – que a China cisma em manter sob seu domínio. Muitos exilados tibetanos há anos travam uma batalha com o governo chinês e agora aproveitam a publicidade da Tocha para mostrar ao mundo sua causa.

Do jeito que as coisas andam, não sei nem se a Tocha chegará à Beijing com todo aquele espírito olímpico. Sei que a imprensa, em sua maioria, não está dando muita importância pra isso. Vejo apenas notas, comentários vagos e nada de discussão. Será que não dá audiência? Vamos ver se até junho acontece algo mais sério para que as pessoas atentem para esse conflito. Dizem que os chineses serão os próximos donos do mundo. Só o tempo pode responder isso. Mas por enquanto, eles estão mostrando que tem tudo para assumir o posto.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CASO ISABELLA

Eu venho aqui nesse momento manifestar minha total indignação com o comportamento que tenho visto da população em condenar o pai e a madrasta da menina. De onde essas pessoas conseguiram elementos para chegar a esta conclusão? Num jornal foi noticiado que jogaram pedra nos dois quando eles saíram dos seus depoimentos. Volta a perguntar: De onde essas pessoas tiraram a certeza da culpa do casal?

Muitas pessoas estão falando besteira em programas de televisão, tentando desvendar esse mistério, alguns concluíram que o pai é o culpado, outros que a madastra seria a homicida. Estão explorando, como tudo exploram com o único objetivo de aumentar a audiência para valorizar os segundos de seus intervalos comerciais. Não é para isso que servem as concessões das redes de televisão.

Sobre esse caso, a única certeza que eu tenho é que a execração pública pela qual passa esse casa É INJUSTA, porque será injusta mesmo que eles sejam considerados culpados no final!

sábado, 5 de abril de 2008

O rei da selva de pedra

Era mais um domingo de sol escaldante no verão do Rio de Janeiro, estava chegando na minha casa, que fica em Copacabana, Zona Sul da cidade, depois de mais uma sagrada partida de futebol e fui direto tomar aquele banho relaxante, relembrando os momentos de “futebol arte” daquela partida.
Entrei no banheiro, tirei a roupa, liguei o chuveiro e foi aí que me deparei com ele: o ser vivo mais temido desta selva de pedra, o mosquito. Confesso que o meu desespero foi tão grande que naquele momento não consegui identificar se era o mais temível deles, o Aedes Aegypti. Entrei em estado de choque, não sabia o que fazer, o inseto passava voando bem próximo ao meu corpo e minha única reação era desviar. Ficamos ali uns cinco minutos, cara a cara, ele voando ao meu redor e eu apenas ziguezagueando a sua frente.
Percebendo que daquela forma seria uma questão de tempo até que o inevitável acontecesse, consegui me acalmar um pouco e vi que na pia havia um jornal, antes de pegá-lo ainda consegui ler a manchete que dizia “Zona Sul já vive epidemia de dengue”, pronto estava confirmado, realmente o meu duelo era com ele, o temível Aedes. Peguei o jornal, dobrei-o e tentei o primeiro ataque, passou perto, mas com muita habilidade o mosquito conseguiu desviar, tentei mais dois golpes e nada de acertá-lo, pronto, já não sabia mais o que fazer.
Naquela altura dos acontecimentos, já me encontrava desesperado, estava quase desistindo de lutar, sabia que a picada final seria uma questão de tempo. Mas é nesses momentos que surge sempre mais uma idéia, corri para baixo do chuveiro e liguei a água, sabia que ali ele não me pegaria, talvez se fosse uma banheira com a água parada, mas ali debaixo do chuveiro com ela correndo pelo meu corpo ele não conseguiria.
Fiquei ali por mais ou menos 15 minutos, sempre atento e sem tirar o olho do mosquito. E foi no único vacilo dele que cheguei à vitória neste embate. Não sei se por cansaço, até porque não sei se mosquito se cansa em voar, ou por desatenção, ele pousou na parede, não pensei duas vezes e dei uma raquetada com a mão direita e ele não resistiu, ficou esmagado na palma da minha mão.
O pior de toda essa história é saber que muitas pessoas estão passando pelo mesmo desespero que eu, muitas delas acabam não tendo a mesma sorte e são contaminadas pela dengue. Sei que é muito importante a consciência de todos, mas o mais importante nesta história é a participação dos nossos governantes, é inadmissível que estejamos passando por mais uma epidemia, que aliás, demorou muito a ser assumida por eles, sendo que todo ano passamos por isso e nada é feito para a sua prevenção.
Ainda estamos lutando contra a dengue, mas já tínhamos que ter uma política de curto e longo prazo, também pensando na que virá ano que vem, ou alguém tem dúvidas de que no próximo ano vamos ser atingidos novamente e provavelmente com ainda mais força. Mas ao invés disso o que temos que ver é o nosso prefeito, esse mesmo que não tomou as medidas preventivas, primeiro negar a epidemia e depois ir para a Bahia rezar para o mosquito ir embora.